Tudo o que vale a pena não está aqui.



O amigo Franz #3


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De início, Franz não percebeu o que era. Depois, distraiu-se, introverteu-se. Sucedia-lhe muito. Saltava (era como se saltasse) de braços abertos atrás de um qualquer pensamento. Por vezes, bastava uma sombra, uma sílaba, um canto de um quadro na consciência. Lá ia ele, quase sem dar por isso. Mas aquilo continuava lá, e era grave. Depois que tudo aconteceu, o seu amigo Max repreendeu-o, olhos severos. Que não devia ser assim, tão ausente de tudo, que a realidade não é coisa para se brincar, que é perigoso fugir assim às coisas que se escondem nos cantos, ou por trás dos muros. Enquanto bocejava, Franz pensou na cadência pouco suave das palavras, no ritmo sobressaltado dos sons, no permissivo esbracejar das letras sobre as nuvens. Max falava noutra língua, e não sabia que Franz sabia. E Franz não entendera nada do que Max dissera. Max era assim, às vezes dava-lhe para debitar palestras em línguas estranhas. Fazia-o com o mesmo cuidado com que tratava das camélias no jardim de Inverno. O problema seria Franz não saber nada de línguas e jardinagem, ou sequer de mecânica e medicina. Certa vez, Max surpreendera-o a fugir de um carro parado no meio de uma estrada secundária, fumo pairando em volta, óleo no asfalto. Mais um embaraço, uma reprimenda, os olhos contumazes do costume. De nada adiantou reclamar absoluta ignorância das coisas da mecânica. Ainda tentara, Franz, um último subterfúgio; que conhecia a mecânica celeste, estudara Newton na escola. Max, esbaforido, abanou a cabeça. E tudo isto acudia ao espírito de Franz, entretido que estava no desconhecimento da sequência de acontecimentos do outro lado do muro.


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